Técnica Superior - Psicóloga
Carla Sofia Fernandes
O Serviço de Psicologia e Orientação (SPO) é, normalmente, uma estrutura especializada de apoio educativo, integrada na rede escolar dos estabelecimentos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário e com uma estrutura e funcionamento que mereceram enquadramento legal específico. O presente “Serviço de Psicologia e Orientação”, agora existente na escola e representado na pessoa da Psicóloga, Carla Sofia Fernandes, embora se desenvolva com inspiração no âmbito funcional contemplado no referido contexto, insere-se numa área mais vasta de desenvolvimento de um projecto apresentado pelo Director da Escola e aprovado pelo Secretaria de Estado da Educação.
O projecto emergiu da constatação de determinadas necessidades que exigem uma abordagem que ultrapassa (mas não exclui, nem muito menos menospreza) o conteúdo funcional da actividade docente, a saber:
- um elevado índice de pedidos de transferência de curso, mesmo em anos adiantados do ensino secundário, decorrentes de opções pouco amadurecidas ou sustentadas geradoras de insucesso escolar;
- origem de parte significativa dos alunos que acorrem à nossa escola a partir de segmentos socio-económicos e culturais desfavorecidos apresentando baixo capital escolar, que funcionam como factores limitantes de oportunidades de exploração vocacional;
- dificuldades de adaptação às características do mercado de trabalho, por parte dos alunos dos cursos profissionais, bem como inaptidão para o desenvolvimento de competências a ele associadas, que carecem de intervenção especializada no âmbito da orientação vocacional entendida na sua dimensão mais lata;
- referência recorrente à carência de métodos de trabalho e de estudo por parte dos alunos, apelando a dispositivos pedagógicos de carácter multidisciplinar;
- consensualidade na carência de intervenção da escola na área da orientação educativa.
Deste modo, a presença de uma psicóloga na escola procura dar maior amplitude às modalidades de intervenção associadas à gestão dos problemas listados que deverão situar-se, a médio prazo, na constituição de um Núcleo de Orientação integrando a Psicóloga (que coordena), coordenadores dos directores de turma e tutores. Esta estrutura será responsável pela elaboração de um plano de acção tutorial que explicite a função orientadora (dotando-a de intencionalidade e planificação), evitando que as intervenções se diluam na dinâmica escolar ou se resumam ao voluntarismo bem intencionado mas inconsequente.
Todo este propósito radica numa concepção da orientação escolar e profissional que deixa de ser encarada como uma actividade separada que se acrescenta ao normal funcionamento da escola, para passar a ser entendido como um processo aberto e versátil que faz apelo a um leque diversificado de intervenções. Neste contexto, a contratação da psicóloga insere-se no quadro geral de um factor de multiplicação do potencial humano da escola.
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